Na apresentação típica da adrenoleucodistrofia ligada ao X, as mutações de ABCD1 levam à perda da função da proteína ALD. A adrenoleucodistrofia cerebral caracterizase pela desmielinização progressiva do sistema nervoso central, de modo que a evolução da doença, que leva à perda de função neurológica e morte, só pode ser interrompida com o transplante alogênico de células-tronco hematopoiéticas.
Neste estudo, publicado no The New England Journal of Medicine, de segurança e eficácia, de fase 2-3, aberto e de braço único foram investigados meninos com adrenoleucodistrofia cerebral. Foi adotado como critério de inclusão os pacientes com doença em estágio inicial e aumento de gadolínio na ressonância magnética durante triagem. A terapia de investigação envolveu a infusão de células CD34+ autólogas transduzidas com vetor lentiviral (Lenti-D). Nesta análise preliminar, os pacientes foram avaliados quanto à ocorrência de doença de enxerto contra hospedeiro, morte e principais incapacidades funcionais, bem como alterações na função neurológica e na extensão das lesões na ressonância magnética. Foi considerado como endpoint primário o paciente vivo sem a presença de comprometimento funcional maior aos 24 meses após a infusão.
Os resultados desta análise preliminar contaram com a participação de 17 meninos que receberam terapia genética Lenti-D com seguimento médio de 29,4 meses (faixa de 21,6 a 42,0). A proteína ALD mensurável foi observada em todos os pacientes, bem como todos os pacientes apresentaram células marcadas por genes após o enxerto, sem evidência de integração preferencial próximo de oncogenes conhecidos ou crescimento clonal. Não foi observada morte relacionada ao tratamento ou doença de enxerto contra hospedeiro; 15 dos 17 pacientes (88%) estavam vivos e livres de comprometimento funcional maior, com sintomas clínicos mínimos. Os resultados também mostraram que um paciente, que teve deterioração neurológica rápida, morreu em razão da progressão da doença. Outro paciente, que tinha tido evidências de progressão da doença na ressonância magnética, retirou-se do estudo para se submeter ao transplante alogênico de células-tronco e mais tarde morreu por complicações relacionadas ao transplante.
Os pesquisadores concluíram que os resultados preliminares deste estudo sugerem que a terapia genética Lenti-D pode ser uma alternativa segura e efetiva ao transplante alogênico de células-tronco em meninos com adrenoleucodistrofia cerebral em estágio inicial. Os autores destacam, entretanto, que é necessário um acompanhamento adicional para avaliar completamente a duração da resposta e a segurança em longo prazo.Uma resenha de: Hematopoietic Stem-Cell Gene Therapy for Cerebral Adrenoleukodystrophy.
Autores: Eichler F, Duncan C, Musolino PL et al.